fbpx

Em 2020 até o Burning Man será online

estátua construída no festival Burning Man
De encontros históricos à distâncias transformadoras: como vai ser o novo Burning Man?
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin
Share on twitter
Share on facebook

Quer você esteja em total negação, em pânico, com medo, se sentindo inseguro ou totalmente numa boa, quer você queira ser transportado para um futuro onde já está tudo bem, ou para um passado onde se enxergava mais as pernas das pessoas e não apenas dorsos nas salas do zoom, o mundo está mudando e é preciso renascer das cinzas, assim como o Burning Man vem fazendo todo ano, no deserto de Nevada, desde 1986. 

O problema é que neste ano, o renascer das cinzas passou a ser literal até demais. Todo o espírito do Burning Man se concentra nas sensações e nas experiências que não podem ser recriadas no ambiente digital, como a poeira e a areia correndo pelo ar, os encontros aleatórios que ressignificam a vida, a arte na sua forma mais real por todos os lados, as diferentes fantasias que dão vida à personalidades únicas, a vivência do ambiente, o vislumbre dos olhos, a proximidade com o outro, as lições em comunidade, as dificuldades e as belezas de estar vivo. Sim, nós estamos falando da dificuldade da inteligência artificial: sentir e ser humano.

Quando o tema vem a calhar

O tema escolhido para esse ano, “Burning Man Multiverse – Um caleidoscópio quântico global de possibilidade”, caiu como uma luva para criar a sensação certa para o formato adaptado para esse e quem sabe, o próximo ano. Já pensou se o tema escolhido fosse “American Dream” de 2008? Não ia soar muito bem nem para os burners assumidos. 

Em palavras da organização o tema “explora o caleidoscópio quântico de possibilidades, as realidades infinitas do multiverso e nossa própria superposição como atores e observadores na cacofonia cósmica de cordas ressonantes. É um convite para refletir sobre o real, o surreal e o patafísico, e uma chance de encontrar nossos eus alternativos que podem ter seguido, estão seguindo, ou seguirão caminhos de decisão diferentes para realidades divergentes de Black Rock City.” Profundo, né? E real se a gente pensar que querendo ou não, o mundo já está diferente e quem não se reiventar, pode sim, acabar perdendo a força e quem sabe, até a existência.

Se você ainda não tinha escutado falar sobre isso, não fique surpreso porque a notícia saiu em meio à explosão do Covid-19 e a organização tomou muito cuidado para não usar a palavra com “C”. E em um vídeo lançado no site, a própria CEO, Marian Goodell, comentou sutilmente a decisão: “Eu não estou aqui para dizer que nós estamos cancelando o Burning Man, eu estou aqui para dizer que estamos convidando você a vir para o virtual Burning Man. Black Rock City 2020 é no multiverso”. – meio dark, né?

Muito além de música, arte e cultura.

Quem já havia garantido o ingresso para esse ano, pode solicitar reembolso. Mas em tempos em que, mais do que nunca, a arte nos salva da vida, a organização pede que se mantenha o valor inteiro ou parte dele para ajudar com as despesas do festival e com as despesas de todos os envolvidos que fazem o festival acontecer, já que 90% da arrecadação depende da venda de ingressos. O valor do ingresso também ajuda a manter programas, em especial o “Burners Without Borders”.

Um festival feito colaborativamente, como sempre.

Pode até ser difícil, mas são os desafios que nos impulsionam a ir além. Somar talentos, histórias, culturas, visões e jeitos diferentes de representar arte sempre foi uma das experiências mais profundas do festival e na versão on-line, o espírito da construção colaborativa se mantém. No site você pode sugerir ideias e inclusive, sediar “eventos interativos” como dança, yoga e muito mais.

Como participar do Burning Man

E agora, José?

Nós não sabemos muito como isso vai ser e nem mesmo a organização do festival admite: “não temos certeza de como vai sair; provavelmente será confuso e estranho com erros. Provavelmente também será envolvente, conectivo e divertido.” Seja como for, nós estamos ansiosos para saber a repercussão desse novo formato, sem saber quando o formato original voltará a existir. 

Eu, apesar de sentir muita saudade de aglomerar, de uma mesa amarela na sexta-feira, do Bogotá cheio no sábado (alô, Nicio e Fran <3), já sinto na pele a ansiedade que o novo normal trouxe e o F.O.G.O – fear of going out – anda batendo na porta. Sabe quando você tá vendo uma série e os personagens estão em fila em um café cheio, esperando o seu pedido, sem máscara? Pois é, eu sinto até um pavor.

E você, o que você acha de festas no zoom e festivais interativos? Conta pra gente aí. 🙂

Escrito por: